E ele chega sem aviso nenhum: de um dia para o outro seu bebê fica enjoadinho e febril. Logo começam os vômitos e a impiedosa diarréia, e esse quadro pode se prolongar por até duas semanas. Nos dois primeiros dias é provável que ele vomite e faça cocô muitas vezes, mas a melhora é progressiva.
O vírus é bastante resistente e se transmite com facilidade, principalmente pela via oral-fecal, já que é expelido em grande quantidade nas fezes da pessoa infectada.
A transmissão também se dá pelas mãos das pessoas, pela água ou alimentos e até, mais raramente, pelo contato com secreções respiratórias. O rotavírus pode, inclusive, infectar a mesma pessoa mais de uma vez.
Porém, a primeira infecção é a mais grave, já que o corpo ainda não tem anticorpos contra o vírus. Nas seguintes eles já terão se desenvolvido e ajudarão a combater a doença, que deverá se manifestar de maneira mais branda.
Identifique os sintomas
A diarréia, além de liberar o vírus no ambiente, é o principal sintoma da doença. Elas podem ser leves mas, em geral, acontecem de 10 a 20 evacuações por dia e esse é o maior perigo do rotavírus.
A grande perda de líquidos pelos vômitos e diarréia pode levar à desidratação, por isso toda a atenção é necessária. Se seu baixinho apresentar esses sintomas, corra para o médico.
Geralmente o tratamento é feito em casa, com a reposição de líquidos. Mas, caso ele esteja desidratado, a internação é necessária. Fique alerta principalmente se os vômitos impedirem a ingestão de líquidos ou se o volume de urina diminuir.
Em casa, a regra é mantê-lo hidratado: oferecer muita água e, sob orientação do médico, soro de hidratação, que contém sais minerais como o sódio, cloro e potássio em quantidades adequadas. Nesses casos o soro caseiro não é mais indicado.
Por que ele ataca as crianças?
Bebês e crianças menores de cinco anos são vítimas em potencial do rotavírus porque não têm anticorpos contra ele. No caso das menores de dois anos, o cuidado precisa ser redobrado, já que elas correm mais risco de desidratação do que as maiores.
Como o vírus se transmite com facilidade, especialmente em ambientes fechados, os surtos são bastante comuns. Se seu filho já freqüenta a creche ou escolinha, fica ainda mais difícil prevenir.
Mais uma vacina para o calendário
A boa notícia é que as mamães e papais já têm um forte aliado na briga contra o rotavírus. No mês de março a vacina que protege contra ele começou a ser aplicada nas unidades de saúde brasileiras, em crianças de até seis meses de idade.
Administrada por via oral - as famosas gotinhas -, a vacina protege principalmente contra os casos graves, diminuindo a possibilidade de internação e a mortalidade. Ela deve ser aplicada em duas doses: a primeira pode ser dada a partir de um mês e quinze dias até os três meses e quinze dias.
A segunda dose deve ser aplicada dois meses depois da primeira. Embora só os pequeninos possam ser vacinados, os mais velhos também estarão mais seguros, já que a quantidade de vírus em circulação deve diminuir bastante.
Consultoria: Dra. Sandra de Oliveira Campos, professora do Departamento de Pediatria da Unifesp.