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Desenvolvimento
Fetal
O desenvolvimento do seu bebê, semana
a semana "Dar vida" a um filho é
um dos maiores milagres que existe. A forma
como duas células se convertem num novo
ser é um ato que não deve deixar
de ser admirado e recordado a grande responsabilidade
que representa trazer um bebê ao mundo.
Mas,
como se origina a vida? A gravidez começa
quando o espermatozóide de um homem fecunda
o óvulo de uma mulher. Esse óvulo,
que é expulso do ovário por efeito
dos hormonios folículo estimulante e
luteotrófica é captado pela trompa.
Ali, encontra-se com os espermatozóides
que chegaram rapidamente depois do coito, que
deve coincidir com o período da ovulação.
Só um deles consegue perfurar a coroa
de células que circundam o óvulo
(zona pelúcida) e assim, chega até
ao núcleo e une-se com ele.
Um óvulo maduro sobrevive aproximadamente
24 horas e o processo desde a ejaculação
até à fecundação
pode demorar menos de 60 minutos. Mas necessita-se
de uma grande quantidade de espermatozóides
para que um óvulo seja fecundado.
Barriga
em crescimento
O
nascimento de termo ocorre de maneira fisiológica
entre as 37 e as 42 semanas de gestação.
Nesse momento, o bebé está pronto
para abandonar o útero, já que
alcançou a maturidade dos seus órgãos.
Como
se forma o embrião
A
primeira divisão (célula primitiva)
produto da fusão do óvulo com
o espermatozóide origina-se vinte e cinco
horas depois da penetração deste
último. A divisão em quatro e
oito células consegue-se logo nas primeiras
40 a 60 horas, e em dezesseis células
ao fim de três ou quatro dias. Tudo isto
sucede durante o trajeto que percorre este grupo
de células através da trompa,
até chegar ao útero, período
de aproximadamente quatro dias. Nesta etapa,
a célula blastocisto começa a
trocar substâncias bioquímicas
com o endométrio com que entrou em contato.
Estabelecem-se assim uma série de pontes
celulares e vasculares pelas quais passam as
substâncias nutritivas e o oxigénio
que a mãe lhe enviará. Estas novas
células denominam-se trofoblastos e mais
adiante serão uma parte muito importante
da futura placenta. Dez a onze dias depois da
fecundação, o embrião não
mede mais de 1 milímetro e já
se encontra totalmente implantado. A partir
do dia 13, as células trofoblásticas
proliferam em contacto com o útero e
formam-se as vilosidades coriónicas,
em cujo interior se desenvolvem os vasos sanguíneos.
Todos eles, ligados, resultarão no cordão
umbilical. Uma vez formada, a placenta começa
a cumprir a sua função principal:
permitir que o sangue materno e o sangue fetal
troquem substâncias sem estarem em contato.
O sangue fetal chega à placenta através
das duas artérias umbilicais, e por sua
vez, o sangue materno chegará ao feto
através de uma única veia.
O
feto
Na
nona semana começa o período fetal,
que continua até ao nascimento. Esta
etapa é muito importante visto que marca
o início de um período em que
se pode visualizar o bebê formado. Daí
para a frente, os seus sistemas amadurecerão
e diferenciar-se-ão para cumprir adequadamente
a sua função. Os únicos
sistemas que se formam logo na nona semana são
os reprodutivos. Durante a nona semana o feto
experimenta um forte impulso no seu desenvolvimento.
É de tal maneira, que praticamente duplica
o seu crescimento e o seu peso.
Com
efeito, até este momento a cabeça
fetal tinha um tamanho similar ao do resto do
corpo. De agora em diante, o corpo crescerá
de maneira mais equilibrada até alcançar
proporções similares às
de um recém-nascido de termo. Os ossos
e os músculos do corpo crescem rapidamente,
particularmente no torso. A cabeça começa
a erguer-se, e o abdómen torna-se menos
proeminente. Aparecem as unhas das mãos
e dos pés assim como os primeiros folículos
pilosos na parte superior da pele, denominada
epiderme. A pele torna-se mais grossa e menos
transparente.
A face também mostra uma importante quantidade
de alterações, entre elas o desenvolvimento
da íris, que é a área pigmentada
que rodeia o olho e controla a quantidade de
luz que pode ser admitida. Também aparecem
as pálpebras que, no entanto, permanecerão
fechadas durante uns meses mais. Começam
ainda a crescer, dentro das gengivas, os futuros
dentes "de leite". Nos meninos já
se começa a visualizar o pénis,
enquanto que nas meninas o desenvolvimento dos
genitais externos é mais claro nas semanas
13 ou 14.
10
semanas: Já se move!
A
partir da décima semana começam
a amadurecer as conexões entre os músculos
e o sistema nervoso periférico, pelo
que os movimentos começam a ser cada
vez mais frequentes. Também aparecem
os reflexos de abertura e fecho da boca e das
mãos. Nesta semana também se forma
o palato, a glândula da tiróide,
o pâncreas e a vesícula. Os intestinos
que primitivamente se encontravam no cordão
umbilical entram na cavidade abdominal, e aparece
a musculatura intestinal e estomacal. O baço
e a medula começam a produzir o sangue
do feto.
Na semana 11 começa a funcionar o aparelho
digestivo: o fígado começa a segregar
bílis, o pâncreas segrega insulina
e os intestinos mostram as suas primeiras glândulas.
Na semana 12, o sistema nervoso amadurece de
tal maneira que o feto já realiza movimentos
de respiração e sucção,
e começa a beber líquido amniótico.
Completou-se totalmente a formação
dos órgãos e dos sistemas, e de
agora para a frente apenas amadurecerão.
Quarto
mês lunar (semanas 13-16)
Durante
o quarto mês - início do segundo
trimestre observa-se a maior velocidade de crescimento.
Posteriormente, as alterações
produzir-se-ão mais lentamente. De tal
modo que a partir de agora falar-se-á
de meses e não se semanas, como no primeiro
trimestre. A maior parte do crescimento produz-se
no corpo e nos membros, mas não na cabeça,
pelo que as características se assemelham
cada vez mais às de um recém-nascido.
Agora,
a cabeça corresponde a um terço
do total do corpo e está cada vez mais
erguida porque se desenvolvem os músculos
da nuca e das costas. Assim, o esqueleto passa
a ser de ossos em vez de cartilagens, completa-se
o sistema reprodutor das meninas, e os movimentos
são cada vez mais intensos, a tal ponto
que a mamãe começa a percebê-los.
Além disso, o bebê começa
a engolir e a excretar líquido amniótico,
o que significa que se inicia o ciclo fetal
líquido, ou seja, a participação
do feto na formação do líquido
amniótico.
Quinto
mês lunar (semanas 17-20)
Nesta
altura, o feto encontra-se tão bem formado
que poderia pensar-se que já pode sobreviver
fora do útero materno. No entanto, os
pulmões ainda não se encontram
suficientemente maduros para poder respirar.
Além disso, o sistema digestivo não
pode ainda receber alimentos e o bebê
não é capaz de regular a sua temperatura,
provavelmente por falta suficiente de gordura
para guardar o calor.
As
glândulas da pele do bebê começam
a produzir o vérnix caseoso, uma mistura
de uma substância gordurosa que, juntamente
com as células de descamação
da pele, formam uma cobertura cremosa que protege
a pele da contínua exposição
ao líquido amniótico. Neste momento
também se formam as sobrancelhas, o cabelo
da cabeça e o lanugo um pêlo muito
suave e fino que rodeia toda a superfície
corporal. Este lanugo serve para conservar o
calor. Se bem que as pálpebras ainda
se encontrem fechadas, mediante a ecografia
é possível visualizar os movimentos
oculares.
Sexto
mês lunar (semanas 21-24)
Neste
momento, o bebé está vermelho,
fraco e enrugado, devido ao facto do sistema
capilar se encontrar em pleno desenvolvimento
e à falta de tecido gordo. O peso aumenta
de 400 a 700-800 gramas. Com este peso, o bebé
poderia sobreviver fora do útero devido
a terem começado a desenvolver-se os
alvéolos pulmonares e, com a infra-estrutura
própria de uma terapia neonatal intensiva,
alguns bebês prematuros conseguem sobreviver.
Estes alvéolos começam a formar
o surfatante, uma substância que permite
as trocas gasosas ao respirar.
O
crescimento dos alvéolos evolui até
ao termo da gravidez e ainda depois, até
quase aos 8 ou 9 anos de vida. Este é
um bom exemplo que expressa que o desenvolvimento
de um indivíduo não termina ao
nascer e que o nascimento é, simplesmente,
uma etapa mais. As narinas (buraquinhos do nariz)
podem abrir-se e o feto mantém, com mais
vigor, os seus movimentos respiratórios.
O cérebro apresenta um electroencefalograma
similar ao dos recém-nascidos, o que
significa que o córtex cerebral está
a funcionar e que o feto pode começar
a conectar-se através dos seus sistemas
auditivo e visual.
Sétimo
mês lunar (semanas 25-28)
Com
este mês começa o terceiro trimestre.
Neste período, a capacidade de sobreviver
fora do útero se as circunstâncias
de um parto prematuro assim o requererem aumenta
cada dia. Os olhos abrem-se e podem perceber
a luz. O bebé já pode ouvir, cheirar,
degustar e tem atitudes reflexas perante o tato
e os estímulos. O pêlo que cobria
todo o corpo, agora só se encontra na
cabeça, nas costas e nos ombros. Além
disso, também está presente, em
forma de lanugo, no líquido amniótico.
Nos
meninos, os testículos descem do abdómen
para o escroto. No sistema nervoso aparece a
mielina, substância que facilita e apressa
a transmissão dos impulsos. Esta capa
de mielina começa a formar-se neste mês,
mas persiste até depois do nascimento.
As funções neurológicas
localizam-se nas áreas específicas
do cérebro e a quantidade de circuitos
aumenta de maneira notável e tornam-se
mais sofisticados. De tal maneira que o cérebro
tem características similares às
de uma criança adulta.
Oitavo
e Nono mês lunar (semanas 33-40)
Durante
o oitavo mês (semanas 29-33) o bebé
cresce muito pouco em peso e em altura. No entanto,
a gordura já cobre a maior parte do corpo.
O nono mês representa o culminar do desenvolvimento
fetal. O crescimento continua lentamente e o
peso continua a aumentar a expensas da gordura
corporal acumulada, sobretudo nos membros superiores
e inferiores. A pele já é branca,
as unhas cresceram e o lanugo desapareceu. Apenas
fica um pouco de vérnix caseoso nas costas
e nos ombros.
Como
vimos, o bebê passa os seus primeiros
nove meses de vida num crescimento e desenvolvimento
contínuos. No entanto, e apesar de termos
descrito todo o processo com uma certa minuciosidade,
ainda ficam muitos aspectos por elucidar, e
muitos mais estão escondidos no mais
profundo mistério. À priori, poderíamos
pensar que o crescimento se encontra limitado
exclusivamente à relação
existente entre a mãe e o feto. No entanto,
cada dia descobrimos que o meio exterior também
tem profundas implicações em todo
o desenvolvimento.
Fonte:
sapo.pt
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