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Ursinho
adorado
Esse
objeto querido é usado todos os dias
pelo pequeno bebê. Enquanto o bebê
o adora, a mãe envergonha-se dele,
devido a que o seu aspecto não é
precisamente o melhor: está gasto,
deteriorado, descolorido. É para
ela "sem apresentação".
Não é raro que ela tente,
uma e outra vez, substituir por outro, mas
sempre sem êxito. O bebê quer
"esse" seu objeto, o seu amigo
do coração. Isto é
o que Donald Winnicott, psicanalista inglês,
denominou como "objeto de transição".
O
que é um objeto de transição?
O
"objeto de transição"
permite ao bebê estender uma espécie
de "ponte" entre ele e a sua mamãe,
nos momentos em que ela não está,
e é ele que lhe permite suportar
a sua ausência. Durante os primeiros
meses do bebê, ele sentia que a mamãe
e ele eram uma unidade, uma mesma coisa,
e não era capaz de distinguir que
se tratava de duas pessoas independentes.
A partir daí, instala-se lentamente
um segundo momento no qual o bebê
começa a sentir-se como um ser separado
dos demais. E é nesse momento que
o bebê consegue começar a incorporar
a figura de uma terceira pessoa: o papai.
Dentro da incorporação do
mundo externo, o objeto de transição
transforma-se na primeira posse desse mundo
exterior e que simboliza a união
de duas pessoas que agora sabe que são
separadas: o bebê e a mamãe.
E o fato de se sentir separado da mamãe
é o início da formação
do "eu" do bebê. Desta forma,
os objetos de transição são
uma defesa eficaz contra a ansiedade, e
ajudam o bebê a ultrapassar melhor
a etapa do apego à mamãe.
Este objeto é muito importante para
o bebê, e não deve alterar-se:
nem a sua textura, nem a sua cor, exceto
se pedido expressamente pelo bebê.
É
frequente que um bebê possua um objeto
de transição?
Trata-se
de um fenomeno completamente normal no desenvolvimento
do psiquismo infantil, e mais de metade
dos bebês adota um objeto de transição.
Costuma surgir por volta dos seis meses,
e o tempo que este grande amigo o acompanhará
é muito variável. Há
crianças que o usam durante anos.
A
mamãe vem já
Para
que um bebê evolua psiquicamente de
forma saudável não serve nem
a simbiose nem o abandono. Os extremos nunca
são bons, e isto também não.
Num primeiro momento, a ausência da
mãe suporta-se criando a ilusão
do reencontro. Esta ilusão baseia-se
na experiência passada, que demonstra
que a mamãe finalmente reaparecerá.
A experiência passada poderá
ser tida em atenção a partir
do aparecimento dos primeiros sucessos intelectuais,
que por seu lado permitirão esperar,
sempre e quando o bebê receba sinais
que indiquem que isso vai acontecer; por
exemplo, os ruídos provenientes da
cozinha. A atividade mental começa
a desenvolver-se e entram em jogo as recordações,
os sonhos, a fantasia e a integração
do passado, do presente e do futuro.
Separação
sem crises
É
necessário e até imprescindível
que o bebê conte com uma mãe
amorosa, que satisfaça as suas necessidades
e lhe permita, através dos seus cuidados,
manter a ilusão de que ambos são
um só. Mas mais importante ainda
é que esta mamãe esteja disposta
a desprender-se dessa identificação
com o seu filho, na medida em que ele necessite
de se separar. É sempre mais difícil
para a mamãe separar-se do seu filho
com a mesma velocidade com que ele necessita
de fazê-lo da sua mãe. Isto
pode observar-se, por exemplo, na dificuldade
que às vezes surge em algumas famílias
para levar o bebê ao berçario
ou deixá-lo a dormir em casa de alguma
pessoa de confiança, quando já
tem idade para fazê-lo ou ele mesmo
o pede. A possibilidade do bebê se
desiludir gradualmente, face à não
coincidência entre o que exige e a
satisfação dessas exigências,
possibilitará o desmame e a posterior
separação da mãe, o
que, pelo seu lado, dará lugar ao
seu crescimento.
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