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O
pênis da criança
Preocupação
frequente das Mães é saber se
o pênis do rapaz recém-nascido
é normal e se lhe irá permitir
uma vida futura sem problemas.
Como é constituído o pênis
O pênis é constituído como
que por 3 tubos dispostos paralelamente: dois
por cima, os chamados corpos cavernosos, que
se enchem de sangue fazendo o pênis aumentar
de volume e tornar-se rígido (a erecção)
e um tubo por baixo destes, o corpo esponjoso,
através do qual passa a uretra, sendo
todos eles cobertos por um tubo de pele. Os
corpos cavernosos, constituindo o chamado corpo
do pênis, alargam-se na porção
terminal deste, constituindo a chamada glande,
que tem uma cor escura e só se torna
visível quando se retrai a pele que a
cobre, designada por "prepúcio"
(que não é mais do que a porção
mais distal da pele do pênis).
Logo
abaixo e ventralmente à glande, observa-se
uma pequena prega ou brida da mucosa; o chamado
"freio" do pênis, que contem
uma pequena artéria, cuja lesão
é, em regra, a causa mais frequente de
hemorragias pós-operatórias. O
prepúcio tem duas faces, uma exterior
que é a continuação da
pele do corpo do pênis, e uma face interna
que se encontra aderente à glande.
A
zona de transição entre o corpo
do pênis e a glande constitui o sulco
balano-prepucial. Aí é frequente
encontrar-se, de cada lado, na porção
ventral do sulco, uma acumulação
de células descamadas, tendo um aspecto
amarelado e que por vezes é, erradamente,
confundida com um pequeno quisto. Tudo desaparecerá
na primeira lavagem, após retrair o prepúcio.
O
tamanho
É importante saber que um pênis
inteiramente normal e que portanto poderá
funcionar bem, quer sob o ponto de vista urinário
quer sexual, pode ter dimensões muito
variáveis, e que qualquer comparação
com filhos de amigos e familiares não
tem significado real, exceto em circunstâncias
extremas que caberá ao Médico
avaliar (são os raríssimos casos
de verdadeiro micropênis, como se fora
a ponta de um lápis, por vezes associado
a outras malformações). Existe
também uma certa variação
rácica, já que os asiáticos
tem em regra pênis de menores dimensões
que os europeus e estes de menores dimensões
que os africanos, mas sem que isso tenha qualquer
importância no desempenho sexual. O que
conta acima de tudo é a sensibilidade
e a capacidade de ter ereções
e chegar ao orgasmo e isso não depende
do tamanho.
A
fimose
Chama-se fimose o aperto ou estenose do orifício
do prepúcio, causando dificuldade em
urinar, com jato fino e por vezes doloroso,
chegando a pele do prepúcio a dilatar-se,
fazendo "balão". A fimose pode
ser congénita (o que é pouco frequente,
mesmo quando a pele do prepúcio é
muito alongada), por vezes é devida ao
chamado eritema ou dermite das fraldas (ou dermite
amoniacal) causado pela persistência de
contato da urina com a pele local (por mudança
deficiente das fraldas e sobretudo quando a
urina é alcalina, transformando-se a
ureia que contem, em amoníaco ), outras
vezes é devida a inflamações
causadas por infecções bacterianas,
designadas por balanites (causadas principalmente
por má higiene local) e pode ainda dever-se
à tentativa de separar, prematuramente
e forçadamente, a pele do prepúcio,
da glande, o que em principio se deve deixar
acontecer naturalmente, evitando as fissurações.
A
parafimose
Diz-se que há parafimose quando, após
ter retraído a pele do prepúcio
(em geral de forma forçada) e posta a
glande a descoberto, a pele não consegue
puxar-se de novo para a frente, começando
a inchar progressivamente, até por vezes
atingir proporções alarmantes,
e surgindo dores, por vezes intensas. É
uma situação tanto mais fácil
de resolver quanto mais cedo se recorrer ao
Médico e portanto menor o edema do prepúcio.
Com paciência e após administrar
um analgésico à criança,
consegue-se em regra fazer a eliminação
da parafimose, embora por vezes se tenha de
recorrer a um "corte dorsal" (sob
anestesia geral, epidural, troncular ou mesmo
local) no anel da tumefação circular
que se formou.
A
circuncisão
Chama-se circuncisão a remoção
total da pele do prepúcio, ficando a
glande descoberta. É uma intervenção
que pode ser feita por motivos religiosos, como
é o caso dos Judeus e dos Muçulmanos,
por razões de tradição
familiar ou psicológicas, por razões
ditas de higiene corporal ou ainda por razões
estritamente médicas, como é o
caso da dificuldade a urinar, das infeções
persistentes ou frequentes e do prepúcio
esclerosado.
Porque
o desenvolvimento do Sistema Nervoso ainda não
está completado há cirurgiões
que, na maior boa fé, praticam a circuncisão
no recém-nascido sem qualquer tipo de
anestesia. Pensamos que é um erro. É
indiscutível que os recém-nascidos
não sabem exprimir por palavras o seu
desagrado, que ninguém pode avaliar com
exatidão o seu sofrimento real e que
nenhum adulto se recorda do que lhe sucedeu
nessa época da vida. Porém, estudos
de Obstetras e Neo-Natalogistas mostram que
o feto e o recém-nascido, reagem a estímulos
dolorosos. Assim nesta intervenção,
cirúrgica, como em qualquer outra e em
qualquer idade, deve evitar-se a dor, dando
analgésicos e fazendo anestesia (geral,
epidural, troncular ou local) adequada à
idade e ás circunstâncias.
Os
dias que se sucedem à operação
são em regra moderadamente incómodos
e dolorosos, nomeadamente ao urinar e por isso
deve usar-se, por rotina, uma analgesia moderada
e recomendar uma ingestão abundante de
líquidos, já que uma urina mais
diluída causa menos ardor.
As
complicações mais frequentes são
as hemorragias, que surgem habitualmente pouco
após a intervenção (nas
primeiras 24 horas) , não se justificando
no entanto o internamento hospitalar e podendo
tudo ser feito em regime ambulatório,
mas assegurando-se previamente um contato fácil,
nomeadamente telefônico, com o Cirurgião
responsável.
Circuncisão
sim ou não
Como vantagem indica-se a facilidade de boa
higiene local: Este problema é no entanto
facilmente ultrapassado desde que, a partir
do momento em que o prepúcio já
se tenha descolado da glande, a criança
se habitue a retrai-lo durante o banho, lavando
bem com água e sabão, e puxando
depois a pele para a frente.
Não
se provou, como se chegou a pensar, que a circuncisão,
no marido, por si só, diminua a incidência,
na mulher, do cancro do colo do útero,
para o qual no entanto podem contribuir a falta
de higiene e a promiscuidade. O cancro do prepúcio
é evidentemente eliminado: mas dado o
fácil diagnóstico e o bom prognóstico
nas fases precoces após o seu aparecimento,
não é justificação
operatória válida.
A
circuncisão, ao deixar a glande permanentemente
exposta ao ar, torna a sua superfície
mais seca e mal lubrificada, diminuindo-lhe
um pouco a sensibilidade, o que alguns sexologistas
consideram uma vantagem, por diminuir a incidência
de uma ejaculação precoce. O importante
durante a ereção e relação
sexual, é que o prepúcio (se não
se fez a circuncisão), possa retrair
sem dificuldade. Se isso não é
possível, e caso os Pais desejem que
a glande se mantenha coberta, podem usar-se
técnicas várias de Cirurgia Plástica
com essa finalidade, ou apenas, por vezes, realizar
um pequeno corte dorsal na zona do orifício
do prepúcio (se a fimose é ligeira
e não há esclerose da pele). O
mesmo se faz habitualmente nas parafimoses,
que em situações de urgência,
não se conseguiram reduzir manualmente.
Nos
Estados Unidos da América, onde a circuncisão
neo-natal era quase rotina, ela constituía
a intervenção cirúrgica
que maior número de complicações
registava. E foi assim, até que a luta
persistente dos Pediatras reduziu drasticamente
a sua realização (que muitas vezes
tinha lugar logo após o parto, feita
pelo próprio obstetra ).
No
caso dos Judeus, a intervenção
é feita poucos dias após o nascimento,
ocasião em que o perigo de hemorragia
é quase nulo, exceto se for lesada a
artéria do freio. No caso dos Muçulmanos
ela é normalmente feita mais tardiamente
e até apenas na puberdade, embora a tendência
seja para a fazer cada vez mais precocemente.
Para as razões psicológicas não
há data e para as razões médicas
o momento é, "logo que se torne
necessária".
Se
excluirmos os motivos religiosos e as situações
de estrita indicação Médica,
como sejam um prepúcio esclerosado ou
infeções repetidas, acaba por
ser um problema de natureza pessoal, em que,
por via de regra, o Médico respeita a
opção dos Pais, depois de devidamente
os esclarecer das vantagens e inconvenientes
da intervenção.
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