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Os
bebês podem aprender a ler?
Alguns autores têm defendido a idéia
de que bebês podem e devem aprender a
ler, chegando a descrever técnicas de
ensino de leitura e a relatar resultados surpreendentes
com lactentes que mal sabem andar . Na verdade,
o lactente não tem capacidade para ler
da maneira como o adulto entende a leitura.
O bebê pode ser treinado a reconhecer
letras ou palavras mas a leitura seqüencial,
tal como a conhecemos, é impraticável.
Para que qualquer ser humano possa iniciar-se
nos domínios da leitura - e isto em qualquer
idade -, é essencial o pré-requisito
da lateralidade. A criança, enquanto
não saiba diferenciar o seu lado direito
do esquerdo, não tem condições
estruturais de organizar a sua atividade cerebral
para a leitura, uma vez que a primeira regra
da leitura ocidental é que a estruturação
das palavras e frases seja feita da esquerda
para a direita. Se a criança que sabe
reconhecer as letras da palavra PAI tentar identificar
esta palavra sem o padrão de lateralidade,
é compreensível que traduza por
IAP, AIP ou PIA.
A
lateralidade não é inata. Muitos
adultos têm dificuldade de reconhecer
a lateralidade, porque não foram treinados
na época da estruturação
do cérebro e precisam de acessórios
como relógios, anéis ou alianças
para reconhecer e distinguir o lado direito
do esquerdo. Como estimular o desenvolvimento
da lateralidade? Marcando um dos braços
com uma pulseira, por exemplo. O cérebro
vai se acostumar com essa informação
e, quando a criança souber qual a mão
que está habituada a usar a pulseira,
é porque seu cérebro tem a noção
de lateralidade.
Não
estou querendo afirmar que o treinamento do
reconhecimento de palavras ou letras seja prejudicial
para a criança. Ao contrário,
pode até ser benéfico, uma vez
que as técnicas de reconhecimento estimulam
os processos associativos entre duas regiões
que trabalham com padrões sensoriais
bem diferentes: a área da visão
e a área da audição, estruturando
mecanismos essenciais para o aprendizado do
processo de leitura tal como o conhecemos. O
lactente tem a capacidade de aprendizado muito
superior à do adulto. Por exemplo, para
que a criança aprenda a conhecer a letra
A (conhecer = associar), basta que associemos
o estímulo visual ao auditivo não
mais do que cinco segundos, uma vez por dia,
por dez dias. No seu pequeno cérebro,
o padrão visual da letra A estará
associada ao seu som. O problema do lactente
será incorporar no seu universo uma função
para a informação. O que é
o A? Para que serve? Por isso, as técnicas
de treinamento de reconhecimento são
realizadas inicialmente com palavras conhecidas
ou, digamos assim, incorporáveis.
Mais
do que ensinar por ensinar, é importante
conhecer o funcionamento da inteligência,
de como se processa o aprendizado e quais são
os objetivos pedagógicos que interessam
ao desenvolvimento do ser humano.
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