|
Estimulando
o desenvolvimento de seu filho de 2 a 4 meses
Por
volta dos dois meses de idade, o bebê
será capaz de sustentar firmemente a
cabeça, de sorrir, de interagir com as
pessoas e de interessar-se pelo ambiente e pelos
objetos. Com o fortalecimento da musculatura
cervical, a criança poderá permanecer
mais tempo em condições de postura
que lhe permitam vivenciar e captar plenamente
os estímulos sensoriais que lhe chegam
do ambiente. Quando o bebê alcança
essa habilidade, sua mente estará estruturando
recursos para associar as informações
recebidas simultaneamente pela visão
e pela audição, criando o esquema
de reconhecimento que será utilizado
como padrão de inteligência pelo
resto da vida.
Reconhecer
é conhecer duas vezes. Em nossa mente,
existe um processo associativo poderoso que
relaciona estímulos sensoriais diferentes
para se definir (reconhecer) o objeto de nossa
atenção. Por exemplo, se alguém
lhe disser a palavra copo, de modo automático,
a sua mente vai associar o estímulo auditivo
à imagem visual armazenada, à
lembrança da sensação tátil
de pegar o copo e à função
do objeto no cotidiano. Através da associação
instantânea e quase imperceptível,
você estará definindo mentalmente
o objeto que nem precisa estar em seu raio de
visão. Se, por qualquer razão,
a mente não realizar a associação
instantânea, você não vai
saber do que se trata. Seria como estar escutando
linguagem estranha e desconhecida.
Podemos
definir inteligência como a capacidade
do cérebro de associar diferentes estímulos
de maneira mais ou menos complexa, de modo a
definir o objeto da atenção, criando
e armazenando novo conceito multifacetado.
É
durante os primeiros meses de vida que a intensa
rede associativa se estabelece, através
da estabilização das conexões
entre as células nervosas. A qualidade
e extensão da rede vão depender
diretamente da qualidade dos estímulos
fornecidos ao bebê. Daí a importância
de propiciar à criança infância
rica em vivências e experiências
coerentes, de maneira a estruturar tais recursos.
O
segundo bimestre de vida também é
momento importante na aquisição
e estabelecimento da corporeidade. Corporeidade
é a maneira como o cérebro reconhece
e utiliza o corpo como instrumento relacional
com o mundo. Durante os quatro primeiros meses
de vida, a criança não tem a capacidade
de abrir voluntariamente as mãos (devido
aos reflexos primitivos remanescentes do estágio
de recém-nascido), nem força muscular
para manter-se sentada sozinha. Isto a impossibilita
de manipular os objetos.
Os
pais podem auxiliar a criança a estabelecer
e desenvolver a corporeidade, tocando e massageando
as mãos, colocando objetos de diferentes
texturas em suas mãos e apoiando a criança
sentada, mesmo que seja no colo, o maior período
de tempo possível. Os pais, como elementos
educadores, podem auxiliar a estruturação
da inteligência dos filhos, se tiverem
em mente esses princípios e se, sistematicamente,
adotarem algumas técnicas da pedagogia
do lactente. As técnicas, quando empregadas
rotineiramente, além de trazerem grande
prazer e satisfação ao bebê,
estreitam de maneira definitiva os laços
afetivos da criança com os pais, estimulando
melhor conhecimento mútuo e compreensão.
1.
Estimule o sustento cefálico.
A partir do momento que o seu filho adquirir
a capacidade de firmar a cabeça, não
o carregue mais como recém-nascido. Segure-o
de maneira a deixar-lhe a cabeça solta
e livre. Você pode fazer isso apoiando
as costas da criança sobre o seu tórax
e segurando-a sentada pelas pernas e pela barriga;
ou apoiando o tórax da criança
contra o seu ombro; ou, se você tiver
força e fôlego, pode apoiá-la
deitada com a barriga para baixo com uma das
mãos em seu tórax, segurando-lhe
firmemente as perninhas com a outra mão,
enquanto a suspende em diferentes alturas, para
que ela possa passear pelos ambientes da casa,
como se estivesse voando lentamente. Muito estimulante
e divertida, a brincadeira acaba tornando-se
rotina na vida dos bebês que a experimentam
e que passam a solicitá-la diariamente.
2.
Continue conversando com seu filho.
Enquanto você estiver passeando com seu
filho, observe atentamente o que ele estiver
olhando. Repita várias vezes o nome da
pessoa ou do objeto em que estiver focando a
atenção. Fale o nome certo, pausada
e lentamente, para que possa correlacionar a
imagem visual com o som articulado. Se não
estiver prestando atenção a nenhum
objeto, simplesmente cantarole alguma canção
do seu repertório habitual. Não
se esqueça de que os bebês não
enxergam direito de longe. Leve seu filho para
bem perto das pessoas e objetos, para que possa
enxergá-los bem.
3.
Brinque com o corpo do bebê.
Movimente-lhe os pés e as mãos,
afague, massageie e faça cócegas.
Movimente-o ativamente e modifique sua posição
de vez em quando. Tente colocá-lo de
pé, para que sinta e tente apoiar-se
ao solo. Quando estiver bem desperto, coloque-o
sentado com o apoio de almofadas, mesmo que
seja por alguns momentos. Não o acostume
a permanecer monotonamente deitado no berço.
Estimule, dessa maneira, a criança a
reconhecer os recursos corporais, facilitando
o cérebro a sentir e utilizar o corpo.
Quando
a criança conseguir dominar os seus reflexos
primitivos para abrir voluntariamente as mãos
e conseguir manter-se sentada com apoio por
tempo razoavelmente longo, terá subido
mais um degrau na conquista das aptidões
e terá estruturado os recursos mentais
para prosseguir no desenvolvimento neuropsicomotor.
|
|