Desejos de mulher

Não é capricho: a vontade das futuras mamães de comer alguns pratos estranhos é real. Melancia com queijo, suco de abóbora, catchup com doce-de-leite. As grávidas não conhecem limites para seus desejos. E os maridos fazem de tudo para atendê-las, afinal, elas insistem na vontade de comer as especiarias. Algumas mulheres sentem mais desejos que outras, mas as estranhas vontades quase sempre estão presentes na vida de uma gestante. A dúvida é: sucumbir aos desejos ou ignorá-los?

Alterações físicas

Sentir desejos é mais normal do que parece. A explicação para isso, também. No campo físico, a cobiça por alimentos não convencionais é motivada por alterações hormonais que ocorrem quando a mulher engravida. As mudanças influenciam o olfato e o paladar, gerando, na mulher, o anseio por alimentos mais condimentados. O PH da boca se modifica e faz com que o sabor dos alimentos também se transforme, daí a vontade, que tem a gestante, de comer o que antes não gostava.

“Sempre como frango e não consigo comer carne vermelha. No início da gravidez, a situação foi inversa. Fiquei com pavor de comer frango.”, conta a estudante Juliana Pelegrini, mamãe, de primeira viagem, de Letícia, hoje com cinco meses de vida.

Alterações psicológicas

Além das variações físicas, no período, incidem transformações psíquicas na mulher. A psicóloga Maria de Lourdes Capelozza, especialista em gestantes, aponta vários motivos psicológicos para o fenômeno. “Devido à maior sensibilidade presente na gravidez, assim como a ansiedade e os receios, a mulher tem vontade de ingerir determinados alimentos, como o doce. Ele serve de compensação aos anseios”, conta Maria de Lourdes.

Psicologicamente, pode acontecer com a grávida uma espécie de regressão: em alguns casos, a sensibilidade a torna infantil, em uma tentativa de se aproximar do bebê. Essa atitude chama-se simbiose. A psicóloga garante que sentir desejos é normal e até saudável, desde que não haja excessos, e recomenda à mulher um pré-natal com o ginecologista e outro com o terapeuta. O pré-natal psicológico tem o nome de psicoprofilaxia da gestação, parto e puerpério, responsável pela prevenção da depressão pré e pós-parto, além de outras questões emocionais que podem ocorrer no período.

Não basta ser pai, tem de participar

O marido exerce um papel importante para a esposa grávida. Certas mulheres usam os desejos como forma de chamar a atenção para si, e os homens fazem de tudo para atender às companheiras. De acordo com Maria de Lourdes, esse comportamento masculino é correto, pois oferece apoio, segurança e carinho à gestante. Mas, se a grávida apresentar desejos muito peculiares, o marido ou companheiro deve buscar entender o que de fato está ocorrendo através de muita conversa, e participar desse período de forma ativa.

As futuras mamães que acham estranho querer comer pão com pimenta podem ficar tranqüilas. É normal sentir esses desejos e querer saciá-los. Eles não vão influenciar a saúde do bebê desde que não sejam absurdos. E o marido? Não tenha receio de solicitá-lo para buscar aquela fruta rara de madrugada.


Fonte: Natura
 


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