|
As
mulheres têm outras aspirações
e sem perderem a sua sensibilidade conquistam
a cada dia novas quotas de participação
social e profissional. A célula familiar
vê a sua estrutura alterada com pai e
mãe em condições de igualdade.
Esta
igualdade alterou a forma como o pai interfere
na organização e planeamento da
família, adotando uma nova postura de
participação ativa na esfera familiar.
Assim,
na sociedade de hoje é cada vez mais
frequente encontrarmos o pai a acompanhar a
mãe nas aulas de preparação
para o parto ou na sala de partos e a participar
ativamente na educação dos seus
filhos. Afastamo-nos cada vez mais da ideia
de que a gravidez, o parto e a educação
das crianças é uma parcela da
vida familiar que diz respeito exclusivamente
à mulher. A igualdade entre os sexos
é hoje uma realidade e a partilha da
gravidez é disso uma consequência
bem visível.
O
pai passou a ocupar uma posição
ativa na gravidez da mulher, que a maior parte
das vezes trabalha e necessita de um companheiro
que divida com ela as preocupações
e que viva com ela essa experiência.
Apesar
de hoje em dia ser cada vez mais usual a presença
do pai na sala de partos, as opiniões
dos pais ainda são bastante contraditórias.
Se
muitas vezes a presença do pai é
vista como uma partilha de uma experiência
significativa para o casal, há ainda
quem sustente que isso é um assunto que
diz somente respeito à mãe e que
o pai só iria atrapalhar. Estas opiniões
são preconizadas tanto pelos próprios
pais, como pelas mães, que a maior parte
das vezes preferem a companhia de uma outra
mulher, como a mãe, a irmã ou
uma amiga.
O
casal deve conversar sobre a presença
do pai no parto, uma vez que nem sempre ambos
desejam essa presença. O desentendimento
relativamente a esta matéria não
deve desapontar nenhum dos dois. O pai deverá
compreender a mãe que não deseje
a sua presença e prefira a companhia
de alguém que já passou pela mesma
experiência, nomeadamente a sua própria
mãe, não devendo por isso desanimar
ou deixar de participar na preparação
para o parto e praticar os exercícios
respiratórios com a mãe.
Da
mesma forma a mãe deverá tentar
compreender a oposição do pai
em estar presente no parto, uma vez que pode
ser extremamente penoso para ele assistir ao
sofrimento da sua companheira.
O Pai "Ativo" e Participante:
É, no entanto, reconhecido que o pai
"ativo", que participa nas aulas de
preparação para o parto e acompanha
a mãe no momento do parto, não
só prestando apoio físico e emocional
mas participando no ato do nascimento em si,
tomando a iniciativa de cortar o cordão
umbilical e de assistir ao primeiro banho do
recém-nascido, contribui bastante para
a aproximação do casal no pós-parto.
A
figura do pai "ativo" é bastante
importante para o casal que evita, assim, o
desmembramento familiar. O pai "ativo"
não se sente marginalizado pela estranha
intimidade que se desenvolve entre a mãe
e o bebê, antes partilha dessa intimidade.
Hoje
a lei permite que o pai beneficie da licença
de parto, pelo que se for esse o seu caso deverá
assistir a algumas aulas de puericultura nos
centros que a sua companheira frequenta.
Geralmente
o pai que participa no parto consegue uma maior
proximidade com o bebê, uma vez que enquanto
a mãe é levada para o quarto ou
está a ser tratada, o pai pode testemunhar
os primeiros momentos do filho, pode fazer-lhe
companhia até ao berçário
e até mostrá-lo aos amigos e familiares
que se encontram na maternidade, e desenvolver,
assim, uma grande intimidade e cumplicidade
com o seu filho.
"Não
sei descrever o que senti por ter estado presente
no momento do nascimento do Enzo e depois de
ter cortado o cordão umbilical. É
maravilhoso assistir ao nascimento do nosso
filho e poder apoiar a mãe nesse momento."
É esta a opinião de Adalberto
Souza, que partilhou com a sua mulher a emoção
do trabalho de parto.
"A
presença do pai durante o parto foi muito
importante para mim. Tive um parto muito difícil
e o meu marido ajudou-me muito a suportar as
dores fazendo gracinhas e provocando-me o riso
nas alturas piores". Afirma por sua vez
a mamã Gisela Bernardes.
Ao
contrário, o pai que não acompanha
a mãe durante o trabalho de parto, sente-se,
na maior parte das vezes, marginalizado e só,
não chegando a entender nunca a experiência
do nascimento do seu filho. Esta situação
pode ser causa de afastamento do casal e motivo
para a quebra da sua intimidade.
Estratégias para o comportamento do pai
durante o parto:
Nos últimos dias: O pai deverá
ajudar a futura mãe a fazer as malas
e ter sempre o carro pronto para levar a mulher
para a maternidade. Deverá ainda conhecer
bem o caminho para a maternidade assim como
as suas instalações, para não
perder tempo à procura de um percurso
mais rápido.
A
poucos dias do parto o pai deve estar sempre
localizável e não deve marcar
compromissos inadiáveis.
No
dia: As contrações iniciam-se.
Tranquilo, o futuro papai deverá ajudar
a futura mamãe a preparar-se para irem
para a maternidade. Ao chegarem à maternidade
e assim que admitidos note-se que podem
existir falsos alarmes o pai deverá
tratar dos papeis de admissão - não
se esquecendo de levar os últimos exames
(ecografias, análises, etc.), cartões
de contribuinte, bilhetes de identidade, boletim
de saúde ... - , e reunir-se com a futura
mãe na sala de dilatação
onde poderá estar a ser assistida e a
necessitar da cooperação do companheiro.
Durante
a espera: A esta altura o pai deverá
estar preparado para tudo e alerta para saber
qual a melhor forma de ajudar a mãe.
Algumas mulheres preferem que falem com elas,
outras preferem ser acariciadas e outras não
suportam nem uma coisa nem a outra. O papai
não deve sentir-se desanimado, antes
deverá respeitar os desejos da mulher.
No
que prestará sempre uma boa ajuda será
na compreensão dos seus desejos durante
o parto não se esquecendo de praticar
com ela os exercícios respiratórios
e humedecendo os seus lábios com água,
sempre tranquilizando e tentando animá-la
nos piores momentos.
Hora
H: A dilatação chegou aos 10 cm.,
começou a fase da expulsão. Nem
sempre o parto decorre com a normalidade suposta
e pode suceder que a mamãe necessite
submeter-se a uma cesariana. Se assim for, o
pai não deve mostrar o seu desapontamento.
Antes
deverá acalmar a mãe e ajudá-la
a enfrentar esta reviravolta. Caso tudo corra
normalmente papaie mamãe passarão
para a sala de partos, onde este deverá
permanecer junto à cabeceira da companheira
e não ao lado do obstetra.
Na
sala de partos deverá permanecer discreto
para não atrapalhar a expulsão,
mas sempre tranquilizando e dando apoio à
mulher. Deverá recordar-se que o sofrimento
da sua companheira poderá ser atenuado
com muito carinho e que já falta pouco
para terminar.
A
cabeça do bebê aparece entre as
pernas da mãe. O pai não deve
deixar que isso o distraia do apoio a prestar
devendo repartir as atenções com
ela que, finalizando a expulsão, se vê
confrontada com sensações de irrealidade,
dor, felicidade e alívio.
Já
nasceu!: Finda a expulsão o pai poderá
cortar o cordão umbilical, caso o deseje,
e ser ele mesmo a pegar no bebê e a colocá-lo
junto ao peito da mãe. Enquanto a mãe
está a ser tratada o pai poderá
assistir à higiene do bebê e pedir
para ser ele a apresentá-lo aos familiares
e amigos que se encontram na maternidade.
Agora
o papai já poderá manifestar a
sua alegria junto da mãe e telefonar
aos ausentes para que estes partilhem da sua
emoção. Depois do nascimento,
o pai poderá presentear a mãe
com uma oferta especial, mostrando-lhe todo
o amor e orgulho que sente por ela.
É
necessário não esquecer que estas
estratégias não são o suficiente
para preparar o pai para a sua presença
na sala de partos. Para isso, a assistência
às aulas de preparação
para o parto são essenciais, bem como
um acompanhamento permanente à sua companheira
durante toda a gravidez.
Atenção,
Pai, prepare-se e dê um contribuição
preciosa para o nascimento do bebê que
vem a caminho.
|