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Tudo
o que deve saber antes de ficar grávida
Por que não antecipar-se e evitar complicações
inesperadas?
Segundo
se sabe, cerca de 30 ou 40 por cento das gravidezes
foram planejadas; nas restantes, a notícia
chegou de surpresa. Quer dizer que muitas se
procuraram, enquanto que outras se encontraram.
Nos níveis socio-econômicos elevados,
a percentagem de mulheres que planifica a gravidez
é maior do que nos níveis mais
baixos. Não obstante, e lamentavelmente,
são poucas as que efetuam uma consulta
médica previa quando decidem ter um filho.
Geralmente, acredita-se que basta manter relações
sexuais numa determinada altura, e uma vez que
o teste deu positivo chega o momento de consultar
o médico. Infelizmente, e independentemente
do nível socio-econômico dos pais,
na maioria dos casos a gravidez começa
a causar preocupações somente
quando se tem notícia dela. No entanto,
nessa altura, pode ser demasiado tarde para
prevenir algumas situações. Ainda
não existe uma clara consciência
de que uma grande quantidade de patologias ou
malformações podem prevenir-se
ainda antes da concepção. Daí
a importância de efetuar uma consulta
pré-concepcional no momento em que começa
a pensar-se na possibilidade de uma gravidez.
Relações
férteis
Quando
um casal deseja ter um filho, as relações
sexuais oportunas constituem um fator decisivo.
Os dias férteis são aqueles que
estão proximos da data da ovulação,
que ocorre aproximadamente na metade de cada
ciclo. Por exemplo, se uma mulher tiver a menstruação
a dia 15, por volta do dia 30 terá lugar
a ovulação. De modo que o ideal
seria manter relações, dia sim,
dia não, desde o dia 25 até ao
dia 5 do mês seguinte.Neste período,
também convem evitar a higiene imediata
e permanecer deitada durante algum tempo depois
de manter relações.
Sindrome
de Down: um tema que assusta
Geralmente,
quanto mais idade tem a mulher, mais se preocupa
com certos aspectos da sua futura gravidez.
Assim, são as mulheres de 38 a 40 anos
que habitualmente podem consultar o médico
previamente, basicamente pelo receio de ter
um filho com sindrome de Down. Se bem que, lamentavelmente,
não costumem preocupar-se tanto por iniciar
a gestação nas melhores condições,
tratando de prevenir a maior quantidade possível
de complicações. É verdade
que quanto mais idade tiver a mãe, maiores
serão as probabilidades de que tenha
um filho com o sindrome de Down ou alguma outra
malformação genética. Mas
é importante saber que embora o risco
seja maior do que numa mãe mais jovem
as possibilidades são sempre menores
que as de ter um bebê saudável.
Com efeito, se dissermos que uma mulher com
40 anos tem uma para cento e nove de possibilidades
de ter um filho com sindrome de Down, é
verdade que tem quatro vezes mais risco do que
uma mulher de 25. No entanto, em cada cento
e nove mães, cento e oito darão
à luz um bebê saudável,
e somente uma terá um bebê com
sindrome de Down.
Perigo,
infecções!
Do ponto de vista infectológico, também
é possível prevenir. Por exemplo,
algumas mulheres costumão ter fluxo de
maneira persistente, possivelmente causado por
germens que colonizam a zona vaginal. A citologia
permite detectar a situação antecipadamente,
e implementar o tratamento adequado antes de
começar a gravidez.
Rubéola,
uma infecção temível
Atualmente,
é possível conhecer o estado imunitário
face a muitas doenças infecto-contagiosas,
e se não existirem anticorpos recorrer
à imunidade passiva através da
vacinação. A rubéola é
uma das patologias que se não se previne
pode causar sérias malformações
no feto. E não deve estudar-se somente
naqueles grupos de risco mais conhecidos, mas
em todas as mulheres. Embora quem a tenha contraído
tenha imunidade para toda a vida, dado que se
trata de uma doença que muitas vezes
pode ser confundida com outra eruptiva, a única
forma de confirmar se se teve rubéola
é mediante uma análise de sangue
específica (serologia). E no caso de
que a mulher não tenha anticorpos, pode
recebê-los por meio da vacinação
antes de ficar grávida.
Os
gatos e a toxoplasmose
Com
respeito à toxoplasmose, embora exista
o mito de que se contagia através dos
gatos, a verdade é que não é
preciso possuir um para correr o risco de adoecer.
De fato, a maioria das pessoas não tem
gatos mas sim anticorpos contra a toxoplasmose,
o que indica que alguma vez tomou contato com
o vírus que a produz. Isto pode acontecer
através da ingestão de carne que
não tenha sido suficientemente cozida,
ou de frutas e verduras mal lavadas, ou então
durante a realização de tarefas
de jardinagem nas quais se manipula terra. Na
realidade, os gatos domésticos não
apresentam risco, mas sim aqueles que saem para
a rua e estão em contato com outros animais
que podem transmitir a infecção.
Não existe uma vacina contra a toxoplasmose,
de modo que a melhor maneira de preveni-la é
consumindo as carnes bem cozidas e as verduras
correctamente lavadas, evitando o contato com
gatos que não permaneçam em casa,
e utilizando luvas para realizar tarefas de
jardinagem. Se uma mulher grávida entra
em contato com o parasita que causa a toxoplasmose,
deve receber um tratamento com antibióticos
urgentemente, para evitar um possível
aborto espontâneo ou malformações
fetais sérias. De todos os modos, não
deve desesperar: cerca de 60 por cento das pessoas
estão imunizadas contra estas infecções.
Uma
questão de peso
A
gravidez deveria iniciar-se com um peso o mais
próximo possível do ideal. Nem
mais, nem menos, dado que o peso a mais pode
desencadear problemas cardiovasculares, hipertensão
arterial e diabetes, entre outros. No caso de
que o excesso seja importante, antes de tentar
ficar grávida, seria conveniente que
durante seis ou sete meses a mulher tratasse
de aproximar-se do seu peso ideal, e a partir
desse momento procurasse engravidar. Dessa maneira,
evitaria arrastar esse peso a mais durante os
nove meses da gestação, que, por
sua vez, vão originar um aumento. No
pólo oposto, se o peso for inferior ao
ideal, será preciso tratar de recuperá-lo.
Uma mulher muito magra certamente que terá
deficiências nutricionais. Neste caso,
não se trata de engordar como um peru
de Natal à força de comer qualquer
coisa, mas sim de recuperar o peso correto mediante
uma dieta boae equilibrada, capaz de fornecer
todos os ingredientes necessários.
Uma
dieta de ferro
No
início da gestação, o aspecto
nutritivo desempenha um papel muitíssimo
importante. Muitas mulheres iniciam a gravidez
com anemia, devido a que as suas menstruações
são muito abundantes ou a que não
se alimentam bem. Na mulher, a predisposição
a padecer de anemia é maior do que no
homem, porque cada menstruação
implica uma perda de sangue e, consequentemente,
do ferro contido nela. Por isso, salvo que esteja
muito bem alimentada com alimentos ricos em
ferro, as suas reservas são menores do
que as do homem. E a isto deve acrescentar-se
que, geralmente, gravidez e anemia costumam
andar de mão dada. Antes de ficar grávida,
seria conveniente avaliar esta possibilidade
mediante um hemograma completo e, em caso de
se confirmar que a mulher está anemica,
deverão indicar-se suplementos de ferro
para que possa começar a gestação
em ótimas condições.
O
que se passa com o cálcio
O cálcio é vital para a formação
dos órgãos e ossos do bebê,
e serve além disso para prevenir uma
futura osteoporose. Se a mulher segue uma dieta
equilibrada e completa, não é
necessário incrementar a quantidade de
cálcio. Mas aquelas que não bebem
leite, nem comem iogurte ou queijo, deveriam
receber suplementos antes e durante a gravidez.
O
ácido fólico
O ácido fólico é uma vitamina
presente em vários alimentos, que tomada
de forma prévia à concepção
reduz de maneira considerável a incidência
de malformações do tubo neural,
como a espinha bífida, a mielomeningocele,
e a anencefalia. Embora os espinafres, o sumo
de laranja sejam ricos em ácido fólico,
a quantidade contida nos alimentos é
muito escassa, pelo que é preciso reforçar
a ingestão por meio de suplementos, desde
os três meses anteriores até aos
três meses posteriores à concepção.
As mulheres que recebem ferro durante a gravidez
não necessitam de tomar ácido
fólico, uma vez que os suplementos de
ferro incluem esta vitamina na sua formulação.
E o mesmo acontece com aquelas que tomam algum
complexo multivitaminico específico.
Qualidade
de vida: um aspecto fundamental
A
qualidade de vida torna-se muito importante
na hora de pensar num filho. Com efeito, muitas
mulheres não conseguem ficar grávidas
devido ao stress ocasionado por uma vida agitada,
somado às preocupações,
pressões laborais, etc. E naturalmente,
o stress também não é bom
durante a gestação. De modo que,
na hora de planear uma gravidez ou durante a
mesma, o ideal seria tratar de levar
na medida do possível uma vida
mais tranquila, diminuindo um pouco o ritmo
quotidiano, e alimentar-se e descansar corretamente.
Sabemos que não é tarefa fácil,
especialmente nestas alturas. No entanto, a
sua saúde e a do seu filho bem o merecem.
Café, posso ou não?
Com
moderação, o café pode
tomar-se sem problemas. No entanto, em doses
elevadas torna-se tôxico, e acredita-se
que poderia produzir problemas na implantação
do embrião. Por isso, não convem
abusar.
Os
exercícios fazem bem ao corpo, e à
alma
Quanto
ao exercício, convem sempre praticar
algum , uma vez que não só faz
bem ao corpo mas também ao espírito.
No entanto, durante a gravidez o treino deve
ser conduzido por um profissional, para substituir
alguns exercícios que não poderiam
continuar a ser feitos da maneira habitual.
Cuidado
com os medicamentos
Alguns
medicamentos estão definitivamente contra-indicados
durante a gravidez, dado que podem ocasionar
complicações ou malformações
no feto, e com outros, deve ser-se muito cuidadosa.
Por isso, se a mulher está a receber
algum tratamento, deveria consultar o seu médico
antes de tentar uma gravidez. Se a medicação
for necessária ou indispensável
para viver, o profissional deverá avaliar
a relação risco-benefício,
tanto para a mãe como para o bebê.
Se for possível reduzir ou suspender
a dose sem riscos para a mulher, melhor. Embora
o ideal seja efectuar sempre uma consulta com
o especialista que se ocupa do problema.
Posso
pintar o cabelo?
Apesar de que na atualidade existam produtos
muito suaves, se a mulher pinta regularmente
o cabelo e está à procura de uma
gravidez ou está grávida, recomenda-se
evitar o contato direto da tinta com a pele
(pelo menos durante os primeiros meses da gestação)
para prevenir uma possível absorção
do produto através do couro cabeludo.
A realidade é que durante a gravidez
o cabelo fica mais sensível caindo frequentemente.
O pintar traduz uma agressão ao cabelo
que se deve evitar, pois não é
indispensável.
Homens:
a outra face da moeda
É
primordial que o futuro papai tambem cuide da
sua qualidade de vida, da sua alimentação,
e dos seus hábitos com respeito ao tabaco,
ao café e ao álcool. Não
devemos esquecer que metade do embrião
é fornecida pela célula masculina.
Por isso, ele deveria seguir os mesmos conselhos
que a sua mulher. Apesar de que a gravidez ser
um produto de ambos, pai e mãe, sempre
se lhe atribui a ela a responsabilidade dos
cuidados preventivos. No entanto, sendo realistas,
isto deveria ser igual para ambas as partes.
Lamentavelmente, são muito poucas as
mulheres que realizam uma consulta médica
prévia, e no caso dos homens e preocupação
é praticamente nula. Apesar de que, desde
o primeiro momento, a responsabilidade de um
filho diga respeito a ambos.
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