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A
picada que alivia
Conversar bastante com seu obstetra e com o
médico anestesiologista da equipe é
uma boa maneira de você esclarecer todas
as dúvidas e ansiedades a respeito e
ver que não se trata de nenhum bicho
de sete cabeças.
"Hoje
temos equipamentos ultra-modernos para fazer
o monitoramento de sinais como a pressão
arterial da gestante durante o período
de aplicação e atuação
dos anestésicos, o que possibilita detectar
precocemente qualquer alteração
e corrigir prontamente, evitando prejuízos
para a mãe ou para o bebê",
afirma Rogério Videira, médico
anestesiologista do Hospital e Maternidade São
Luiz e do Hospital das Clínicas da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo.
Anos
atrás, cerca de 10% das gestantes que
recebiam anestesia raquidiana penavam com uma
dor de cabeça que durava até três
dias após o parto. O mal estar era desencadeado
pela agulha, que deixava um buraquinho na membrana
do canal espinhal provocando uma diferença
de pressão interna. A dor só ia
embora quando esse buraquinho cicatrizava, alguns
dias depois.
"A
agulha usada atualmente é infinitamente
mais fina, por isso apenas cerca de 0,2% das
mulheres ainda sofrem com essa reação",
aponta Videira.
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Tipos
disponíveis
As
técnicas de analgesia mais usadas atualmente
para o parto são as regionais, que atuam na
região pélvica e pernas da gestante,
deixando-a consciente durante todo o processo. A anestesia
geral normalmente só é usada em casos
especiais, como em mulheres com problemas de coagulação.
Na
modalidade regional, os medicamentos são aplicados
na região lombar. Em geral, a mulher fica sentada
ou deitada de lado, com as costas curvadas para que
o médico consiga localizar o espaço
entre as vértebras da coluna onde introduzirá
a agulha. É tudo muito rápido, normalmente
a gestante sente apenas um leve ardor.
São
três as técnicas de aplicação
de analgesia regional mais utilizadas:
Peridural
- É aplicada num espaço da coluna chamado
peridural que envolve o canal vertebral. Costuma ser
mais usada no parto vaginal. As drogas podem ser aplicadas
em apenas uma dose ou na modalidade peridural contínua,
em que vão sendo liberadas aos poucos por meio
de um cateter (tubo plástico muito fino).
Raquianestesia
- Também chamada de raquidiana, ou simplesmente
de raqui, costuma ser mais indicada para cesariana
ou quando um rápido início de ação
analgésica é necessário. O anestesiologista
injeta o medicamento dentro do canal vertebral. Em
doses pequenas, no caso de parto normal, ele produz
rapidamente analgesia intensa. Para a cesariana, são
necessárias doses maiores, que provocam um
relaxamento muscular intenso e prolongado na região
pélvica e nos membros inferiores.
Combinada
- Essa técnica começou a ser usada mais
recentemente e, como o nome sugere, é uma combinação
da raqui com a peridural. Primeiro o médico
dá uma dose de raqui, que produz alívio
imediato. Depois, pela agulha da peridural, um cateter
é introduzido para permitir que a mãe
receba o anestésico na quantidade necessária
conforme a evolução do trabalho de parto.
Tranqüilidade
maior
Antigamente,
a analgesia era usada apenas por mulheres que faziam
cesariana. Agora, cada vez mais gestantes que passam
por parto normal estão recorrendo a seus benefícios.
Isso
foi possível graças à evolução
das drogas anestésicas e dos conhecimentos
sobre seus efeitos. Os médicos perceberam que,
em baixas doses, tais medicamentos tiravam a sensibilidade
das pernas e região pélvica da gestante
sem impedir que ela continuasse comandando a musculatura
dessas partes do corpo.
Com
isso, era possível livrar a gestante do desconforto
provocado pelas dores das contrações
e deixá-la ativa o suficiente para ajudar no
trabalho de expulsão do bebê.
Os
benefícios são inegáveis. "As
dores das contrações aumentam a ansiedade
da mulher, o que contribui para prolongar e tornar
mais difícil o trabalho de parto. Com o auxílio
da analgesia, ela enfrenta a situação
com tranqüilidade e tudo flui mais fácil",
entende o ginecologista Abner Lobão Neto, coordenador
do serviço de pré-natal personalizado
da Universidade Federal de São Paulo.
Você
escolhe
Por
isso, num parto normal, embora alguns médicos
indiquem que é melhor esperar por uma dilatação
de pelo menos 5 centímetros para iniciar a
analgesia, o sinal da mulher deve ser respeitado.
"É ela quem sabe o quanto de dor pode
suportar", diz Abner.
Caberá
então ao anestesiologista escolher a técnica
e as dosagens de medicamento mais adequadas, de acordo
com o estágio do trabalho de parto. Ou seja,
se ele ainda estiver no começo, o ideal é
que as doses sejam mínimas e suficientes apenas
para tirar a dor, deixando a mulher ativa o suficiente
para continuar colaborando no processo.
Fonte:
Johnson & Johnson