O
período de gestação, importante
como é, exige da sua parte cuidados extra com
a alimentação. De tal depende a boa
prossecução da gravidez e a saúde
do seu bebê.
Uma alimentação correta passa pela satisfação
de requisitos quantitativos e qualitativos.
Aspectos
quantitativos da alimentação na gravidez
Numa mulher grávida as necessidades energéticas
aumentam para valores que se situam entre 1900
2300 Kcal diárias. O incremento nas necessidades
energéticas reside na necessidade de dar resposta
às exigências do corpo grávido:
aumento da massa sanguínea circulante, mais
necessidades energéticas para a mãe,
etc..
Três situações poderão
acontecer durante a gravidez quanto ao fornecimento
de calorias:
Quantidade
insuficiente
atendendo a que o aporte de calorias fornecido é
insuficiente, o seu organismo iniciará a utilização
das reservas energéticas e você emagrece.
Ao seu bebê acontece o mesmo, o que é
crítico a partir do 7º mês atendendo
ao crescimento das suas necessidades energéticas.
Um déficit calórico significativo (aporte
inferior a 1500 Kcal) traduzir-se-á numa diminuição
franca do peso do recém-nascido.
Quantidade razoável
neste caso as calorias são utilizadas
na satisfação das necessidades diárias
da mãe e do bebê e o pequeno excedente
será armazenado.
Quantidade exagerada
o excesso de calorias é armazenado sob a forma
de gorduras o que se traduz em aumentos de peso da
mãe e do bebê.
Necessidades calóricas e repartição
das refeições
Aspectos
importantes da alimentação na gravidez
Proteínas
Construir, manter e renovar os tecidos da mãe
e do bebê exige uma fantástica acumulação
de proteínas. As necessidades vão aumentando
durante a gravidez e, no 3º trimestre, a grávida
deve assegurar um aporte de cerca de 70g/dia. Elaboração
dos tecidos do bebê, aumento do volume do útero,
aumento da massa sanguínea, aleitamento, etc.
explicam este aumento das necessidades.
A deficiência proteica compromete o crescimento
fetal, sobretudo se ocorre no último trimestre.
Hidratos
de Carbono
De valor calórico análogo ao das proteínas,
estes são os fornecedores de energia. Essenciais
ao crescimento do bebê deverão constituir
300 350 g/dia, o que corresponde a 1200
1400 Kcal.
Privilegie os açúcares lentos em detrimento
dos rápidos uma vez que aqueles se degradam
lentamente e proporcionam um fornecimento contínuo
de energia. Os açúcares rápidos
fornecem energia de um modo rápido e momentâneo,
provocam picos de insulina e carências nos intervalos
das refeições.
Se consumir estes nutrientes em demasia estará
a candidatar-se a ser uma grávida obesa e a
submeter ao mesmo o seu bebê, uma vez que os
excessos se transformam em gordura.
Alguns glícidos complexos, de origem vegetal,
desempenham um papel particular são
as fibras. Estas diminuem o tempo de trânsito
intestinal e esvaziamento gástrico. A quantidade
a fornecer na gravidez depende também da sua
tolerância. Excesso de fibras poderá
desencadear alterações intestinais (diarreias,
gases, dilatações intestinais). 20
30 g será o intervalo de valores considerado
aceitável. Ricos em fibras são, por
ex., pão completo ou de farelo, flocos de cereais,
tomates, frutos, arroz integral, favas, ervilha, lentilhas,
feijões secos e legumes verdes.
Lípidos
São muito importantes durante a gravidez. As
gorduras proporcionam o aporte de vitaminas lipossolúveis
e contêm ácidos gordos essenciais, cruciais
para a formação e funcionamento do sistema
nervoso central do feto. Ocorre durante a gravidez
um aumento normal dos lípidos (colesterol,
triglicéridos) circulantes no sangue, reflexo
das necessidades energéticas crescentes maternas
e fetais, que evoluem ao longo da gravidez.
Cálcio
O fornecimento diário de cálcio deverá
assegurar as necessidades da mãe e do bebê.
Se estas não forem asseguradas será
necessário, para a formação do
esqueleto do bebê, que seja retirado cálcio
dos ossos da mãe, onde este está reservado.
As necessidades serão portanto maiores
da ordem dos 1200 mg/dia.
Se o cálcio faltar ao bebê, este apresentará
insuficiências no desenvolvimento ósseo
ou muscular.
Se o cálcio faltar à mãe, esta
exibirá cáries dentárias, cãibras,
unhas quebradiças. Depois do parto, este mineral
é necessário para que a mãe produza
leite.
O excesso de cálcio poderá causar problemas,
como a ossificação prematura da cabeça
do feto, pelo que não deverão ser tomados
comprimidos de cálcio, principalmente sem conhecimento
médico.
O cálcio encontra-se no leite e derivados.
A vitamina D, que além de estar no leite enriquecido,
está na manteiga, ovos e fígado, permite
a sua fixação.
Ferro
Mineral essencial a uma gravidez bem sucedida, nomeadamente
para a produção de hemoglobina (que
é responsável pelo transporte de oxigénio).
Na situação de carência de ferro,
o desenvolvimento da gravidez e a saúde da
mãe poderão estar perturbadas e sob
ameaça de abortos espontâneos, prematuridade,
diminuição do peso do feto, mortalidade
fetal ou neonatal.
Na mãe a deficiência de ferro, designadamente
no final da gravidez, acarreta fadiga, diminuição
das capacidades físicas, diminuição
da resistência às infecções,
estados anémicos durante a gravidez ou após
o parto.
Para o neonato, a carência em ferro poderá
determinar diminuição da resistência
às infecções e alterações
do comportamento.
O ferro encontra-se em: ovos, carne, peixe, feijão
verde, ameixas.
Fósforo
Leite e queijo, peixe, carne e pão e vários
outros alimentos contêm fósforo, pelo
que a sua deficiência é rara, mas poderá
estar associada à falta de vitamina D.
Zinco
Crescimento e desenvolvimento do feto, pelo seu papel
modelador da acção enzimática.
Iodo
Para dar resposta à elevação
das necessidades da glândula tiróideia.
A sua falta poderá comprometer o desenvolvimento
fetal.
Flúor
Admite-se que exerça uma função
preventiva na cárie dentária.